Salve Mãe da Misericórdia

SALVE MÃE DA MISERICÓRDIA

Na experiência humana familiar, a relação filial e maternal nos ajuda a situar o realismo da misericórdia. Para a Mãe, o filho é tão amado quanto mais sente que ele é parte de sua vida. Quanto mais sofrido, será tanto mais amado. Para o filho, a mãe é tão compassiva e misericordiosa quanto mais se sente acolhido, compreendido e atendido em suas alegrias e sofrimentos, conquistas e derrotas. A misericórdia materna é um componente natural e especial do coração da Mãe geradora de vida.

Imaginamos Maria, Mãe da misericórdia. Além de humana que era, cultivava a amplidão da maternidade pela fé e a obediência à Palavra de Deus.  Quando Jesus perguntou: “Quem é minha Mãe e quem são meus irmãos?” Certamente já confirmava a maternidade de Maria, muito além dos laços de sangue, também nos laços do espírito. A maternidade de Maria, longe de distanciá-la da humanidade, a tornou definitivamente misericordiosa.

Se o coração da Mãe é uma constante oferenda de amor a seus filhos, o coração de Maria é a mais evidente expressão materna do coração de Deus à humanidade. “Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério de seu amor” (O Rosto da misericórdia 24).

Na bula de proclamação do jubileu extraordinário da misericórdia, o Papa Francisco apresenta Maria como Mãe da misericórdia desde sua escolha pelo amor do Pai, sua permanente sintonia com o Filho em sua vida e missão e, especialmente ao Pé da cruz, onde partilha o perdão de seu Filho e a faz  Mãe da humanidade, representada em João. Francisco também nos convida a rezar a Salve Rainha, para que Maria não se canse de volver o seu olhar misericordioso para nós e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus.

Falando na oração Salve Rainha, busquei conhecer sua origem e notei que não é apenas fruto de uma devoção, mas brota de uma vida marcada por uma experiência de total miserabilidade e sofrimento. Pelo ano mil, o Monge beneditino Germano, estando fisicamente inutilizado com reumatismo e com dores atrozes, arrastando-se do quarto à capela, ia dialogar com a Imagem de Maria. Foi ali que, de palavra em palavra foi compondo esta tradicional oração que brota da miséria e entra em sintonia com a misericórdia da Mãe.

O Monge não conseguiu concluir. Estava escrevendo: “Depois deste desterro, mostrai-nos Jesus”... quando a morte o levou.  Sabe-se que São Bernardo a concluiu e hoje continuamos rezando dentro de nossas experiências humanas mais diversas no dia a dia de nossas provações. Sentimo-nos confortados ao saber que a Mãe da misericórdia continua em sintonia com seus Filhos e nós temos uma Mãe atenta e acolhedora. Salve Rainha, Mãe da misericórdia!

 

ORAÇÃO: Salve Rainha, Mãe da Misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei e, depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito o fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.