Quem mudou, fui eu!

A vida e a convivência são sempre um mistério de surpresas e possibilidades. Num dos diálogos agradáveis de um jovem pai, ouvi a narrativa de um digno processo de relações redimidas. Este Pai, contava sua experiência de vida e como tudo foi acontecendo no atropelo das necessidades imediatas. Fez faculdade no meio da insegurança econômica, que o impelia a trabalhar oito horas por dia e correr para chegar em tempo nas aulas à noite. Terminada a faculdade foi à luta para conseguir se firmar profissionalmente, conforme sua especialização.

Após firmar-se no trabalho, o jovem pai começou o namoro e foi construindo sua moradia. Após o casamento veio chegando o primeiro filho. Nasce o filho e a preocupação aumenta. O trabalho redobra e o tempo parece sempre mais veloz no relógio de suas obrigações. Neste correria, o lado gratuito da convivência familiar ia ficando sempre mais reduzido.

O filho ia crescendo e o pai ia correndo sempre mais. Atenção e carinho, colo e ternura não  garantiam  bens imediatos. No afã de criar estabilidade econômica para a família e capitalizar sempre mais para o futuro, foi se ausentando sempre mais do lar, deixando a esposa na solidão e o filho na insegurança.

Na media de sua ausência do lar as relações familiares iam se complicando sempre mais. O Filho que frequentava a escola não aprendia e tumultuava. Esta situação de revoltado do menino, já estava sendo visada pelos traficantes que rondavam a saída dos alunos. A direção da escola decidiu, então, chamar o Pai para um diálogo e expôs a dura realidade e o limite a que tinha chegado a possibilidade de continuar.

Chocado pela realidade que tendia a piorar, o Pai decidiu fazer uma análise corajosa de sua presença e atuação na família. Por ser uma pessoa de fé, rezou e buscou uma luz, lá onde não imaginava encontrar. Começou a ler os Evangelhos e se encontrou frente a frente com Cristo. A partir daí começou dar atenção e carinho ao filho. Diminuiu o trabalho à noite e, ao voltar para casa, olhava os cadernos e acompanhava os temas. Nos fins de semana, convidava o filho a passear e, ao acordá-lo para ir à escola lhe dava um abraço, um beijo e o abençoava.

Por surpresa, a reação positiva do menino foi tão rápida que as professoras e colegas imaginavam estar acontecendo um milagre. Os dias passavam e o jovem rebelde e revoltado era um exemplo de dedicação, aprendizado e liderança positiva. Para comunicar a alegria da mudança, a direção chamou o Pai novamente. Preocupado, apresentou-se, mas para receber a agradável notícia: “Seu filho mudou totalmente! Aconteceu um milagre!” O pai, muito feliz e espontâneo disse: “Quem mudou fui eu!” Em seguida foi narrando onde e em que tinha mudado.

Pequenos gestos de atenção e amor podem ir efetivando grandes transformações onde o desamparo e a insegurança podem deformar vidas. Pensar em garantir seguranças para um futuro de sucesso, não se importando pelo humano dos humanos, é expor-se aos mais arriscados fracassos.