Generosidade vencendo a mesquinhez

Lembro-me de uma experiência muito singular que jamais esquecerei. Um pequeno gesto de generosidade deixou-me uma grande lição para a vida. Numa longa viagem de ônibus para uma cidade do interior da Bahia, fizemos baldeação numa cidade que ficava a uns 150 quilômetros do destino. Na medida em que íamos chegando, a seca e o calor nos mostravam um cenário de sofrimento generalizado. No percurso do caminho paramos para o lanche do meio dia que os passageiros levavam consigo.

 

Como eu não estivesse prevenido, nada levei para o lanche. A meu lado uma Senhora idosa e pobre percebeu. Então abriu uma caixinha de papelão e me ofereceu um bolinho dos poucos que tinha. Agradeci seu gesto e disse não estar com fome. Então ela me disse: “Tenho pouco, mas é tudo o que tenho e lhe ofereço de coração!” Sensibilizado, aceitei! Seu modo de proceder e a alegria em partilhar de sua pobreza fez do bolinho um banquete inesquecível para mim.

 

Diante de atitudes de generosidade, não há como ficar indiferente! O transbordamento generoso do coração chega às mãos e das mãos faz acontecer gestos de bondade. A generosidade do amor cristão não se fixa na quantidade, mas na qualidade das intenções do coração. Lembramos aqui a oferta da viúva que o Evangelho de Marcos 12, 41-44 nos narra. Enquanto os ricos se ostentavam em depositar grandes somas, a viúva, generosamente, colocou no cofre duas moedinhas. A qualidade da intenção lhe valeu o grande elogio de Cristo: “Esta pobre viúva deu mais do que todos os outros” (12, 43).

 

Quando Paulo escreveu a segunda carta aos Coríntios procura incentivá-los à generosidade e à superação da mesquinhez. Acena para as Igrejas da Macedônia que, em sua extrema pobreza e grandes tribulações pedem a graça de participar da coleta em favor dos santos de Jerusalém. Diante de tal generosidade convida também à comunidade de Corinto à sinceridade da caridade.

 

Paulo, em sua sabedoria, sente que a generosidade precisa ir além de uma qualidade humana. É necessária uma motivação maior para que a generosidade seja duradoura. Por este motivo aponta para o Mestre da generosidade, Jesus Cristo e diz: “Na verdade, conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: de rico que era, tornou-se pobre por causa de vós, para que vos torneis ricos por sua pobreza” ( 2 Cor 8,1-9).

 

A generosidade pode ser exercitada de muitos modos, não apenas dando coisas, mas acima de tudo, dando-se em amor. Posso ser generoso partilhando bens materiais, mas posso também ser generoso dando do meu tempo para dialogar, para deixar uma criança mostrar-me os trabalhos de aula, esperando um apoio adulto. Posso ser generoso na visita aos doentes e sofredores, nos serviços voluntários que ajudam na promoção humana. Há mil modos para exercitar a generosidade e isto nos realiza, “pois é dando que se recebe” (São Francisco).

 

“Quem semeia pouco, também colherá pouco, e quem semeia com generosidade colherá com largueza... Deus ama a quem dá com alegria” (2 Cor 9, 6-7).